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Luiz Caldas diz que blocos ‘abaixaram cordas porque não vendem’

Para o rei do Fricote, a suposta democracia na folia momesca não é "para agradar o povo", mas sim uma "necessidade": "ou você se adapta ou você se retrai"




Considerado o pai do Axé, Luiz Caldas não acredita que os artistas têm abaixado as cordas dos trios no Carnaval de Salvador para “agradar o povo”, mas sim porque os blocos “não vendem”.


Durante a última edição da folia momesca, cantores e políticos endossaram o coro da democracia na folia. Embora “parabenize” o governo de Estado pelo investimento a trios para o folião-pipoca, o rei do Fricote defende que a mudança ocorreu por necessidade.


“Foi a corda primeiro e o camarote depois. Ou você se adapta ou você se retrai”, continuou o cantor, nesta segunda-feira (17), em entrevista ao programa Conversa com Bial.


O artista comentou ainda a fase em que esteve afastado da grande mídia: “Foi muito importante para mim, para eu colocar os pés no chão”. Ele diz acreditar que a “pouca idade” foi crucial para o “desaparecimento” citado por Bial – quando lançou “Fricote”, o músico tinha apenas 21 anos.


“Não sabia jogar muito bem para me manter. A música me levou aos melhores e os piores lugares. Eu sempre fui musicista, nunca quis fazer nada só para ganhar dinheiro. Graças a Deus, as canções que eu tenho sempre me sustentaram bem”, continuou.


Sobre a canção, o feirense afirma que evita cantá-la, devido ao trecho “Nega com cabelo duro, que não gosta de pentear”, apontada como racista e “politicamente incorreta”, segundo relembrou Bial.


Para evitar polêmica e estímulo ao preconceito, o cantor prefere diversificar o já vasto repertório. “Eu acho que é só uma canção. Mas é uma coisa terrível o preconceito, então eu não aqui para ajudar isso. Graças a Deus eu não sou artista de uma música só, consegui fazer um repertório que virou trilha na vida de várias pessoas”, declarou.


Confira a participação: