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Marinha aponta responsáveis por tragédia e revela peso irregular em embarcação.

A Marinha divulgou na manhã desta terça-feira (23), em Salvador, os resultados apontados pelo inquérito que investigou as causas da tragédia que causou a morte de 19 pessoas, e uma 20ª ainda considerada desaparecida, no dia 24 de agosto de 2017, na Baía de Todos-os-Santos, região turística da Bahia.
Para a Marinha, houve negligência do engenheiro responsável técnico pela embarcação e do proprietário da empresa, além de imprudência por parte do comandante.
Entre as causas determinantes listadas estão a instalação de 400 kg de lastros (pesos usados para ajudar na capacidade de manobras) soltos que deslizaram dentro da embarcação, contribuindo "negativamente para a capacidade de recuperação dinâmica da embarcação".
Segundo a Marinha, no dia 20 de abril de 2017 - quatro meses antes da tragédia -, foi feita uma vistoria na embarcação. No entanto, após a vistoria, a embarcação passou por mudanças, irregulares, como a inclusão dos lastros de 400 kg.
A Marinha ressalta que deveria ter sido feito pedido de estudos de estabilização após inserção dos pesos.
Com isso, de acordo com as investigações, "os possíveis responsáveis diretos são":
- Por negligência: Engenheiro responsável técnico pela embarcação.
- Por negligência: Proprietário da empresa responsável pela operação da embarcação.
- Por imprudência: Comandante da embarcação.
Segundo o inquérito da Marinha, diante das condições climáticas adversas, com ondas, o comandante deveria ter retornado ao Terminal Marítimo de Mar Grande, e aguardar a melhora do tempo. A lancha naufragou às 6h40 do dia 24 de agosto, dez minutos após deixar o terminal de Mar Grande em direção a Salvador.
O inquérito será encaminhado para o Tribunal Marítimo, no Rio de Janeiro. Segundo Reis, o tempo médio de julgamento vai de 1 a 2 anos.
Entre as sanções previstas, no âmbito da Marinha, estão o cancelamento da matrícula dos profissionais envolvidos, cancelamento de registro e multa.
"Podemos responsabilizar diretamente pelo acidente os possíveis responsáveis colocados aqui em função da associação das várias causas determinantes apontadas no inquérito", disse o Capitão dos Portos, Leonardo Andrade da Silva Reis. A coletiva que reuniu a imprensa foi comandada por ele e pelo Vice-Almirante da Marinha, Almir Gamier.
Para a Marinha, o comandante da embarcação não foi prudente com a condução diante de ondas de um metro. Referindo-se a uma exposição da embarcação a banco de areia, segundo o capitão, o comandante poderia ter assumido função mais defensiva.
Todas as pessoas apontadas no inquérito já foram notificadas pela Marinha e têm prazo de 10 dias para apresentarem defesas prévias.
Causas
O inquérito apurou fatores humanos, materiais e operacionais. O fator humano foi o único que não foi incluso nas causas determinantes. O fator humano leva em conta a capacidade de condução do condutor, inclusive físicas.
Lista de 'fatores contribuintes':
Fator material: Instalação de pedras de lastro, sem avaliação técnica, e a falta de fixação desses pesos (somente encaixados entre as cavernas) causaram o deslocamento das pedras para o bordo de adernamento e, consequentemente, a degradação de sua instabilidade.
Fator operacional: A falta de medidas protetivas de segurança, após perceber as condições climáticas adversas, para evitar o acidente:
- Evitar o banco de areia, evitando assim, os impactos das ondas, e ventos pelo trevés de boreste (lado direito) e/ou
- Retornar ao Terminal Marítimo de Mar Grande, de modo a aguardar melhores condições.
Lista de 'causas determinantes':
Engenheiro responsável técnico pela embarcação emitiu o estudo de estabilidade definitivo que não corresponde aos dados da embarcação e não cumpria todos os critérios de estabilidade para a área de navegação interior previstos nas normas.
Instalação de pesos de lastros soltos pelo proprietário da empresa responsável pela operação, em desacordo com os documentos técnicos, os quais deslizaram para o bordo de adernamento e contribuíram negativamente para a capacidade de recuperação dinâmica da embarcação.
Exposição da embarcação a condições meteorológicas adversas pelo comandante.
Conforme a marinha, os lastros de mais de 400 Kg soltos na embarcação colaboraram com o naufrágio.
O capitão Leonardo Reis falou detalhadamente sobre o peso de grandes concretos achados na embarcação: “Abaixo da sala de comando foram identificados pesos, que contribuíram para o acidente”.
Segundo a Marinha, testemunhas foram ouvidas entre agosto e dezembro. Em setembro, foram realizadas simulações do acidente.
O vice-Almirante Almir Gamier detalhou o procedimento do inquérito, que tem 1,2 mil páginas. "Mais de 50 interrogatórios, muitos depoimentos, laudos técnicos, simulações".
O Capitão dos Portos Leonardo Andrade da Silva Reis lembrou que a travessia não tinha histórico de mortes em cinco décadas.
Fonte: G1