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Metade dos times do Baianão tem políticos e candidatos na presidência

Metade dos 16 times da primeira e segunda divisões do Campeonato Baiano é comandada por políticos. Dentre eles, três ocupam cargos eletivos e um é secretário municipal.


Os outros quatro não têm mandato nem nomeação para funções públicas, mas são filiados a partidos e planejam voos mais altos, seja na disputa eleitoral deste ano ou de 2020.


Entre os oito cartolas que se dividem entre o futebol e a política identificados pelo CORREIO, cinco devem disputar as eleições de outubro. O deputado estadual Roberto Carlos (PDT) é um deles e vai em busca da reeleição. Ele é presidente e fundador da Juazeirense, atual líder do Baiano e em franca ascensão.


Colegas do pedetista na Assembleia Legislativa, Leur Lomanto Júnior (MDB) e Manassés (Pros) devem entrar na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados. O primeiro é presidente do Jequié, revelação do campeonato deste ano, enquanto o segundo comanda o Cajazeiras, que está na segundona do estadual. No ano passado, as duas equipes fizeram a final da divisão de acesso, vencida pelo time de Leur Júnior.


Zé Chico (DEM) é outro que planeja chegar à Câmara este ano, após ter amargado a suplência em 2014. Ele é presidente do Conselho Deliberativo do Fluminense de Feira e foi responsável pela elaboração do novo estatuto da equipe, que prevê a realização de eleições diretas para o comando do clube, a exemplo de Bahia e Vitória.












Arte: CORREIO Gráficos

Já Rafael Damasceno (Podemos), presidente do Jacobina, não tem mandato, mas cogita candidatura a deputado estadual. Ele diz que as chances são pequenas, mas admite que pode entrar na disputa. Segundo ele,  há um desejo do partido de lançá-lo na corrida eleitoral, apostando na visibilidade conquistada durante os seis anos em que comanda o clube.


Os outros três cartolas-políticos não vão disputar as eleições deste ano. Porém, miram a vaga de vereador em seus municípios na sucessão de 2020. Um deles é Eduardo Mesquita (MDB), presidente do Conquista FC, time que estava parado há 20 anos e que vai disputar a segunda divisão do Baiano. Ele já foi vereador de Vitória da Conquista duas vezes, perdeu na disputa de 2012 e cogita retornar às urnas na próxima eleição municipal.


Na mesma cidade, quem também pode voltar à disputa é Eduardo Moraes (PCdoB), do Vitória da Conquista (Primeiro Passo). O comunista, que escreveu o primeiro estatuto do clube, tentou chegar à Câmara Municipal em 2016, mas não foi eleito.


Raimundo Queiroz (sem partido), presidente do Atlético de Alagoinhas, completa o time dos cartolas que estão na política. Atual chefe de Gabinete do prefeito Joaquim Neto (DEM), ele nunca disputou cargos eletivos, mas estuda entrar na corrida eleitoral de 2020, em busca de vaga no Legislativo da cidade.


Visibilidade
Apesar de se dividirem entre as duas paixões, os cartolas  dizem que não utilizam o futebol como trampolim para a política e vice-versa. Contudo, admitem que o esporte dá visibilidade, o que é um ponto positivo para a vida pública. Tanto é que o movimento de políticos envolvidos com equipes de futebol na Bahia deu um salto nos últimos anos. No entanto, dependem do sucesso de suas equipes, mesmo que não acreditem em retorno nas urnas.


“Futebol  não dá voto. Proporciona visibilidade, mas consome tempo terrível, com muita dedicação. Só assim para ter êxito. Se fosse um elemento que desse voto, Marcelo Guimarães (ex-presidente do Bahia e ex-deputado) tinha sido eleito para tudo”, avalia Roberto Carlos, que fundou a Juazeirense em 2008, após ter rompido com o Juazeiro, equipe tradicional da cidade.


Zé Chico, que já foi suplente do ex-senador João Durval, também não vê benefício político no futebol. “É o inverso. Se for para escolher entre a política e Fluminense, escolho o meu time. Até porque a política não está lá essas coisas”, pontua. Empresário do ramo da mineração, ele diz que, no esporte, céu e inferno são próximos. “No mesmo momento em que você está bem, pode estar em dificuldade. A ideia é não fazer do clube trampolim”, pondera.


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Rivalidade entre cartolas novatos
Em lados opostos na Assembleia, Leur Lomanto Júnior, que lidera a bancada de oposição, e Marcos Manassés, da base governista, se enfrentaram dentro de campo na final da segunda divisão do Baiano. Em clima acirrado, os dois fizeram brincadeiras e provocações no Legislativo ao longo da disputa, vencida pelo Jequié, de Leur.


Os dois são os cartolas mais novatos. Leur, apesar da ligação antiga com o time, só virou presidente do Jequié ano passado. Já Manassés fundou o Cajazeiras em 2015, junto com o filho, Igor Manassés, que foi jogador profissional. Mas a relação do deputado com o futebol baiano começou antes, por meio de sua empresa, a On Soccer Brazil.


Com ela, Manassés fez, antes de criar a própria equipe, parcerias com Galícia e Jacobina, clube em que as relações foram marcadas por tensão e disputas de poder entre ele e o presidente, Rafael Damasceno.


No Atlético de Alagoinhas, Raimundo Queiroz é velho conhecido da torcida. Ele foi eleito presidente em 2016, mas já comandou o Carcará por três vezes. A primeira em 2003. Foi com Queiroz que a equipe conquistou seu melhor desempenho no Baiano - 4º lugar em 2009. O prefeito da cidade, Joaquim Neto, também é ligado à equipe, da qual foi médico.


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Relação do futebol com poder é antiga
Apesar de ter se intensificado na Bahia nos últimos anos, a história mostra que ligação entre futebol e política é antiga. Um dos maiores exemplos é Osório Villas Boas, que foi presidente do Bahia na conquista do Brasileiro de 1959 e só deixou o comando da equipe dez anos depois. Na política, foi deputado estadual de 1967 a 1969. Ele morreu em 1999, a tempo de ver o  time bicampeão brasileiro em 1989.


Outro ex-presidente do Bahia, Paulo Maracajá também foi deputado estadual, entre 1983 e 1994. Pelo lado do Vitória, o ex-presidente Paulo Carneiro foi vereador de Salvador e deputado estadual por dois mandatos. Hoje, políticos atuam também nos bastidores dos dois maiores times do estado.


O atual presidente do tricolor, Guilherme Bellintani, foi secretário nas duas gestões do prefeito ACM Neto (DEM), mas no clube integra o movimento Simplesmente Bahia, que tem representantes também do governo estadual, como Cícero Monteiro, chefe de Gabinete do governador Rui Costa (PT). No Vitória, o deputado federal José Rocha (PR) já foi presidente do Conselho e integra o quadro de conselheiros.


Na Assembleia, o representante é  Bobô (PCdoB), enquanto na Câmara, Téo Senna (PHS) é vereador, ambos ex-jogadores.


Fonte: Correio da Bahia